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Travesti passa em universidade federal e cria campanha para bancar mudança de cidade: “Estou buscando ir além”

Literatura é a paixão de Hellen Franco, escritora travesti de Piedade (SP). Ela agora quer fazer das palavras, também, uma profissão, e se tornar um exemplo para que outras pessoas como ela consigam ir além do destino que lhes é imposto. O próximo passo é a mudança do interior paulista para a Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Rio Grande do Sul, onde foi aprovada para cursar Letras. Para bancar a mudança, ela criou uma campanha no site Vakinha. Clique aqui para ajudar.

Hellen nasceu em Sorocaba, mas questões familiares, como a morte do pai, a levaram a morar posteriormente em estados como o Paraná e a Bahia. Há dez anos, ela se estabeleceu em Piedade (SP), onde desenvolveu amizades e ajudou a criar encontros LGBTQIAP+ como forma de ocupação de espaço público.

Desemprego é sintoma brutal da exclusão das travestis

Foi há quatro anos, dentro dessa nova realidade, que ela se identificou como travesti, momento em que a relação com as pessoas a sua volta mudou completamente. O preconceito segue brutal, ela conta, e o desemprego é dos reflexos mais cruéis. “Moro em uma cidade pequena, onde é complicado de conseguir um trabalho formal, de carteira assinada com tudo bonitinho. Passei por incontáveis entrevistas depois da transição e nunca consegui de fato um emprego.”

A literatura foi sempre um refúgio: em 2009 ela criou um blog para compartilhar os escritos  e, no ano passado, lançou o livro “A violência do casulo, abordando justamente o cotidiano como travesti.

Escrita é ferramenta para Hellen Franco

Apaixonada pela escrita, Hellen quer fazer dela não apenas a válvula de escape para os dias, mas uma profissão. Por isso, escolheu  Letras no ENEM e acabou sendo selecionada para o curso na UFPel. “Acho importante existirem travestis produzindo conhecimento, literatura, narrando suas histórias e ocupando lugares que antes era impossível para nós, e acho que estou buscando isso, ir além do que achava ser possível”, reflete.

Atualmente desempregada, Hellen busca agora a solidariedade e a empatia de quem se identificar com a história, para arrecadar o valor necessário para a mudança e também para se manter nos primeiros meses na cidade. Ela criou uma campanha no site Vakinha e, até o momento, arrecadou R$ 1,7 mil. É possível ajudá-la através do link.