Não poderia ser assim, mas elas ainda são invisíveis para quem não consegue enxergar toda a história por trás das pessoas em situação de rua. Entender e respeitar essa realidade, e contribuir para que essa parcela da população tenha acesso a direitos básicos como alimentação e felicidade, é o motivo de existir do Mãos Invisíveis, projeto que existe há cinco anos em Curitiba. Para finalizar o ano, os voluntários promovem uma rifa que ajudará a cobrir os custos de uma ceia aos assistidos no Natal.
O Mãos Invisíveis atua tanto junto à população em situação de rua, quanto às famílias em extrema vulnerabilidade. Entre os trabalhos, estão o fornecimento de roupas, alimentos e capacitação, com o objetivo de devolver aos assistidos a possibilidade de readquirir a visibilidade e a cidadania.
Atualmente uma referência na capital paranaense, o projeto nasceu do entendimento de que apenas os privilégios separam as pessoas em situação de rua das demais. Desta forma, são trabalhadas reivindicações por moradia, políticas públicas eficazes, manutenção de direitos básicos e, ao fim de tudo, simplesmente o respeito. “A população em situação de rua é invisível. A gente se acostuma a vê-las dormindo nas ruas da cidade e isso é um absurdo. As pessoas não deveriam estar nas ruas, não deveria ser cômodo passar ao lado de uma pessoa nessa situação e não parar para pensar o quanto isso é absurdo”, comenta ao Conversa do Bem a vice-coordenadora, Rafaella Riesemberg.
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Atualmente, o Mão Invisíveis conta com 90 voluntários. Com eles, foram realizadas em 2023 ações como atendimentos quinzenais às famílias cadastradas, atuação em cursos e palestras e a distribuição de 350 cafés da manhã a cada domingo, além de trabalhos emergenciais, principalmente durante o inverno.
Rafaella explica que o café é servido toda semana, não importando se há chuva ou muito sol, na praça Generoso Marques, em uma proposta que vai além do assistencialismo. “Entendemos este momento como um pretexto para uma aproximação e criação de vínculo com a população Neste espaço buscamos trazer música, intervenções culturais e urbanas, tudo para que a real atenção seja voltada às demandas da população. Servimos o que gostaríamos de receber.”
Além dos cafés da manhã, durante a recente onda de calor que atingiu o país, o Mão Invisível atuou na distribuição de água gelada e frutas como melancias para a população em situação de rua de Curitiba. Um gesto aparentemente simples, mas que significou muito aos atendidos – não apenas pela alimentação, mas pela reconexão com algumas memórias. Percebemos que muitos não comiam melancia há muito tempo e que não é uma fruta de fácil distribuição nas ruas. Além de que a fruta é uma ótima forma de hidratação”, comenta a vice-coordenadora.
Ainda que o trabalho do Mãos Invisíveis seja louvável, e de fato faça a diferença na vida de centenas de pessoas, não pode ocorrer de ele servir como subterfúgio para o estado se abster das responsabilidades que têm com a população em situação de rua. E Rafaella joga luz ao fato de que existe, a nível nacional, desde 2009, uma Política Nacional para a População em Situação de Rua. Entretanto, na visão dela, isso não se reflete na capital paranaense. “Atualmente existem alguns avanços significativos a nível federal e que de alguma forma acabam por impactar o atendimento e as políticas em Curitiba, mas nossa cidade ainda é muito atrasada quanto a pauta e infelizmente com uma gestão higienista.”
Rifa
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Através da rifa, o Mãos Invisíveis pretende financiar um almoço de final de ano às famílias assistidas. A ideia é servir, no dia 25 de dezembro, refrigerante, chester, arroz, farofa, salpicão, panetone e sobremesas, além de disponibilizar itens de higiene e brinquedos. Cada número custa R$ 10 e o sorteio ocorre no dia 15 de dezembro. Até lá, é possível participar basta entrar em contato pelo Instagram.
Além da rifa, é possível também contribuir com o Mãos Invisíveis durante todo o ano através do Pix 32.297.003/0001-25 e com doações mensais.