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A gentileza salvou a empena “O vôo”, em Belo Horizonte

“Gentileza gera Gentileza” é uma frase que parece batida na atualidade, mas foi cunhada por um brasileiro singular e sábio, ainda que por vezes esquecido e estigmatizado. Profeta Gentileza tornou-se célebre pelas quentes ruas do Rio de Janeiro ao fazer inscrições com esse e outros ensinamentos nas pilastras do Viaduto do Gasômetro, zona central da cidade. Seu objetivo era simples: espalhar a palavra do amor entre as pessoas em meio à pressa das grandes cidades. As artes chegaram a ser apagadas após a morte de Gentileza, em 1996, mas permaneceram vivas no imaginário do carioca e passaram por recuperação, virando posteriormente patrimônio histórico da cidade. 

A trajetória do profeta tem muito em comum com a da empena “O vôo”, em Belo Horizonte. Pintada em 2018 pelo artista Comum para o Circuito Urbano de Arte (CURA), a obra, de grandes proporções, se tornou parte do cotidiano da população em meio ao cinza das semanas. Mas o tempo, implacável, causou desgastes que a deixaram, logo ao completar 5 anos, na iminência de ser apagada. Porém, a gentileza tratou de salvá-la. 

Comum criou uma campanha online para arrecadar R$ 15 mil, o montante necessário para o restauro. O problema era o prazo: precisava levantar o valor dentro de uma semana. Com alguma surpresa, o artista viu a ação ganhar cada vez mais cores através de apoios que não paravam de chegar. Em menos de 24 horas, a meta já estava batida e a obra a salvo.

O sucesso da campanha é, também, uma resposta. Os mais de 400 apoios recebidos mostram uma Belo Horizonte feliz por estar em companhia da arte urbana e que faz questão de tê-la no cotidiano. “Me traz um recado muito positivo de que esse trabalho é bem aceito. As pessoas gostam de arte urbana, mesmo com o preconceito que ainda existe”, reflete Comum.