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IFRS constrói equipamentos para ampliar acessibilidade para alunos

Educação não é conquista – é direito. E é muito através da criação de equipamentos adaptados que esse direito ganha a potência da democratização. Esse é o trabalho do Centro Tecnológico de Acessibilidade (CTA), localizado no campus Bento Gonçalves do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Lá, diversas ferramentas que proporcionam aos portadores de necessidades especiais (PNEs) maior qualidade na aprendizagem são desenvolvidos diariamente e, depois, espalhados por todo o mundo.

Hoje uma referência na construção de mecanismos para acessibilidade na educação, o CTA surgiu em 2013. Inicialmente um projeto pontual, está desde 2021 institucionalizado como um setor do campus Bento Gonçalves. O objetivo é propor, orientar e executar ações em acessibilidade de forma completa, abrangendo metodologia, equipamentos e comunicação.

O IFRS conta em 2023, dentro de 17 campi, com 700 alunos com necessidades especiais. Em muitas das vezes, os próprios estudantes fazem a solicitação junto ao CTA para receberem auxílio nos estudos. Em outros casos, são os professores que buscam o centro para obterem ajuda para passar determinados conhecimentos. Dessa forma, a tecnologia utilizada com uma pessoa acaba ajudando diversas outras futuramente.

Entre os equipamentos desenvolvidos dentro do CTA estão mouses e teclados adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, mapas e outros materiais táteis para alunos com deficiência visual e engrossador de lápis para facilitar a escrita. E o mais incrível: todos os tutoriais de como construir os equipamentos são disponibilizados no portal do projeto no site do IFRS, bem como diversos materiais de apoio. Dessa forma, qualquer pessoa no mundo pode construir as próprias versões das ferramentas.

Nesse sentido, cabe ressaltar também que as criações do CTA tornam muito mais baratos equipamentos que verdadeiramente transformam a relação dos PNEs com a educação. Um ótimo exemplo é o suporte criado por lá para que o celular funcione como lupa. Basta utilizar a própria lupa que vem no smartphone, apontá-la para o texto que o aluno pretende ler e fixá-lo com o porta-celular. A lupa para estudantes com baixa visão é vendida comercialmente, mas chega a custar R$ 3 mil. No CTA, o equipamento impresso em impressora 3D tem custo de produção de R$ 4. O arquivo para ser impresso também está disponível no site e não tem patente – o que significa que pode ser replicado à vontade.

Bolsista dos setores de acessibilidade do IFRS desde 2007, e oficialmente um servidor do CTA desde 2013, Lael Nervis destaca que o avanço do projeto se dá pelo engajamento dos envolvidos. “Mesmo que haja corte nos recursos da educação, a gente luta, vai atrás e consegue fazer. Se a gente não der esse acesso ao aluno, ele não vai conseguir estudar ou vai ter muita dificuldade. Por consequência, vai acabar deixando o curso. Então estamos sempre dispostos a ajudar.”